graciliano-ramos Biografia de Graciliano Ramos - Livros para Todos

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Nasceu em Quebrângulo-AL, em 1892. Estudou em Maceió e fixou-se em Palmeira dos Índios-AL, onde foi prefeito. Depois, novamente em Maceió, exerceu a função de jornalista. Esteve preso em 1936, durante a ditadura de Getúlio Vargas, embora não tenha sido acusado de nada. Filiou-se, em 1945, ao Partido Comunista. Mesmo sendo ateu, a Bíblia era sua leitura preferida. Morreu em 1953.

Principais Obras de Graciliano Ramos

  • Romance
    Caetés (1933)
    São Bernardo (1934)
    Angústia (1936)
    Vidas Secas (1938) – o autor não admitia que essa obra fosse chamada de romance.

  • Conto
    Insônia (1947)

  • Memórias
    Infância (1945)
    Memórias do Cárcere (1953)

Graciliano Ramos tem sido apontado com o mais importante ficcionista da Geração de 30. Evidentemente, a sua única obra regionalista – Vidas Secas – é a obra-prima, mas há quem considere São Bernardo um dos melhores romances de toda a literatura brasileira, pelo perfeccionismo demonstrado por Graciliano Ramos na montagem da estrutura, das personagens e do discurso dessa obra.

O estilo desse escritor alagoano é clássico, extremamente bem trabalhado (as obras eram refeitas várias vezes), sem palavras soltas ou adjetivação em excesso, objetivo, seco. Em Caetés, a história do narcisista João Valério; em Angústia, a história do frustrado Luis da Silva; em Memórias do Cárcere, o relato de sua estrada na prisão durante o Estado Novo; em São Bernardo e em Vidas Secas, o virtuosismo de Graciliano Ramos ao combinar a linguagem com a circunstância, com a paisagem e com os personagens.

São Bernardo é o romance em que o personagem Paulo Honório conta a sua vida. Tem vontade de tornar-se dono da Fazenda São Bernardo e o consegue à custa de violência. Casa-se com a professora Madalena, mulher sensível e inteligente. Paulo Honório trata-a como trata a fazenda e os empregados, com violência. Madalena suicida-se, Paulo Honório cai em prostração e faz uma análise de si e da sua vida. Trata-se de um romance psicológico narrado em primeira pessoa.

Aqui, o capítulo XIX, em que Paulo Honório mistura a realidade de estar só e as lembranças de Madalena:

Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, par que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as idéias não vêm, ou vêm muito numerosas – e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a penas tentar corrigi-las. Afasto o papel.

Emoções indefiníveis me agitam – inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração.

Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu pagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.

Lá fora os sapos arengavam, o vento gemia, as árvores do pomar tornavam-se massas negras.

Vidas Secas é a obra regionalista de Graciliano Ramos, considerada a obras mais bem redigida do regionalismo da Geração de 30.

Este livro narra a trajetória de uma família nordestina – o vaqueiro Fabiano, Sinhá Vitória, o filho mais velho, o filho mais moço, a cachorra Baleia, o papagaio – fugindo da seca. As condições de vida de Fabiano e de sua família são tão precárias (a paisagem e a vida são secas) que Graciliano Ramos zoomorfiza as pessoas (Fabiano, Sinhá Vitória e os filhos são bichos) e humaniza os animais (Baleia é tratada como gente). É a condição subumana em que “vive” um povo tangido pela seca e pela justiça social.

Eis o final de Vidas Secas:

Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças que empestavam o caminho. As palavras de Sinhá Vitória encantavam-no. Iriam para diante, alcançariam uma terra desconhecida. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as palavras de Sinhá Vitória, as palavras que Sinhá Vitória murmurava porque tinha confiança nele. E andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer? Retardam-se, temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos.


Obras de Graciliano Ramos para Download


- Angústia
- Memórias do Cárcere
- São Bernardo
- Vidas Secas

Resumos das Obras de Graciliano Ramos


- Angústia
- São Bernardo
- Vidas Secas