Biografias > Érico Verissimo
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Nasceu em Cruz Alta-RS, em 1905. Filho de família rica que se arruinou economicamente, foi obrigado a exercer várias profissões. Em 1935, radicou-se em Porto Alegre, onde trabalhou em jornais. Mais tarde, lecionou Literatura na Universidade de Berkeley-EUA. Morreu em 1975, em Porto Alegre.
Principais Obras Érico Verissimo
Primeira fase (romances urbanos)
- Clarissa (1933)
- Caminhos Cruzados (1935)
- Música ao Longe (1935)
- Olhai os Lírios do Campo (1938)
- O Resto é Silêncio (1943)
Segunda fase (regionalista)
- O Tempo e o Vento (1949-1962)
Terceira Fase (políticos)
- Noite (1954)
- O Senhor Embaixador
- Incidente em Antares (1971)
- Solo de Clarineta (memórias-1973)
Na primeira fase de sua obra, Érico Veríssimo preocupa-se em retratar um quadro pequeno-burguês de Porto Alegre com narrativas lineares e personagens comuns, mas revelando-se um excelente contador de histórias.
Na segunda fase é que Érico Veríssimo apresenta-se como o grande escritor que ocupa um lugar de destaque entre os romancistas brasileiros. Nessa fase, aparece a sua obra prima – O Tempo e o Vento – a epopéia da formação do povo gaúcho. Trata-se de um romance gigantesco, uma trilogia dividida respectivamente em O Continente, O Retrato e O Arquipélago, que narra a saga de duas famílias – os Terra e os Cambará – no período de duzentos anos (1745-1945).
Os Terra e os Cambará, a partir da cidade de Santa Fé-RS, unem-se várias vezes em casamentos e constituem o arquétipo dos indivíduos construtores do Rio Grande do Sul, isto é, os Terra são perseverantes, obstinados, amam a terra, a permanência (Ana Terra e Bibiana Terra); os Cambará são generosos, sonhadores, aventureiros, amam a liberdade e a ação (Capitão Rodrigo e Toríbio Cambará).
Os vários livros que compõem O Tempo e o Vento, na realidade, dividem-se em uma série de novelas que têm, como ponto unificador, no plano espacial, a cidade de Santa Fé, onde se concentram todos os grupos sociais na colonização do Extremo Sul. Observe-se que o Coronel Jairo afirma sobre os vários agrupamentos sociais, em um baile de reveillon, em 1909:
E se eu lhe disser que vossa história está toda escrita, em magnífico resumo, na face e nas vidas das gentes que hoje se acham no reveillon do Comercial? E se eu vos assegurar que neste clube se agita uma espécie de microcosmo do Rio Grande? (...) Ali estão dois representantes do clã pastoril, os senhores de terras e gados, muitos deles descendentes dos primeiros sesmeiros... - Dois senhores feudais – acrescentou Rodrigo, lembrando-se em tempo que ele próprio pertencia àquela “nobreza rural”. - São eles que fazem os intendentes, delegados, deputados, senadores, presidentes do Estado – continuou Jairo entusiasmado. – Em suma: é a classe que governa. Ao redor dela vive, ou melhor, vegeta a massa dos servos da terra. - Lá está o Spielvogel – mostrou Rodrigo – cujo pai começou a revolução industrial em Santa Fé com seu moinho d’água... - Exatamente – disse Jairo – E ele representa o primeiro passo do colono da picada para a cidade, abandonando a agricultura para se dedicar ao comércio ou à indústria... (...) - Agora veja bem – prosseguiu ele, pegando na lapela de seda do casaco de Rodrigo. – Há um grupo, um importante grupo da população do Rio Grande do Sul que ainda não está representado aqui, que eu saiba... É o dos agricultores, o dos pequenos proprietários de terras, em sua maioria descendentes de imigrantes italianos e alemães. É que esses elementos ainda não estão bem incorporados à vossa sociedade.(...) - Como eu ia dizendo... Temos agora um segundo grupo, o maior e talvez o mais importante de todos: a população urbana. Olhe lá sr. Marcelino Veiga. É um representante do comércio, bem como o sr. Spielvogel o é da vossa incipiente indústria, ambos, portanto, burgueses, membros da economia capitalista que só agora começa entre vós... Sim, porque vossa idade média, com barões feudais, servos da gleba, artesãos e um regime de trocas é de ontem... (...) - Há ainda um outro grupo que não está
representado neste clube e que talvez não o esteja nem daqui a
cem anos. É o dos operários. Rubim sorri quando lhe falo
nesses párias da sociedade. Acha que seria um erro educar as massas,
melhorar-lhes a vida. Mas o doutor deve compreender que nós os
positivistas somos pela incorporação do proletariado à
sociedade ocidental. |


