Biografias > Emiliano Perneta

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Paranaense de Pinhais, Emiliano Perneta (1866-1921) foi advogado formado no Rio de Janeiro e exerceu as funções de jornalista, professor e auditor de guerra e Curitiba. Foi ele quem divulgou As Flores do Mal, do francês Baudelaire aos poetas curitibanos, fazendo da capital do Paraná, um dos centros de formação de poetas simbolistas. Por isso, foi justa a homenagem que os curitibanos lhe prestaram em vida dando-lhe o título de “Príncipe dos Poetas Paranaenses”. A poética de Emiliano Pernet tem versos bem trabalhados à parnasiana e tematiza a metalinguagem, o satanismo, o elogio à natureza e o misticismo cristão.

Principais Obras

  • Ilusão (poemas – 1911)

  • Setembro (poemas – 1934)

  • Pena de Talião (teatro – 1914)

No soneto seguinte, um outro tema bastante recorrente na obra de Emiliano Perneta: a idéia de partir

O BRIGUE

Num porto quase estranho, o mar de um morto aspecto,

Esse brigue veleiro, e de formas bizarras,

Flutua há muito sobre as ondas, inquieto,

À espera, apenas, que lhe afrouxem as amarras ...


Na aparência, a apatia amortece-lhe o esforço;

Se uma brisa, porém, ao passar, o embalsama,

Ei-lo em sonho, a partir e, então, empina o dorso,

Bamboleia-se mais gentil do que uma dama ...


Dentro a maruja acorda ao mínimo ruído,

Deita velas ao mar, à gávea sonda, o ouvido

Alerta, o coração batendo, o olhar aceso ...


Mas a nau continua oscilando, oscilando ...

Ó quando eu poderei, também, partir, ó, quando?

Eu que não sou da Terra e que à Terra estou preso?