Biografias > Cruz e Sousa
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Catarinense
de Florianópolis, o negro Cruz e Souza (1861-1898) era filho de escravos
alforriados e foi criado pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa como filho
adotivo.
Aluno de Fritz Muller, sábio alemão, amigo de Charles Darwin, Cruz e Sousa escrevia versos desde os seus sete anos; dos quinze ao vinte anos, publicou poemoas e crônicas de cunho abolicionista em jornais de Florianópolis e Porto Alegre. Migrou, junto com poetas paranaenses e gaúchos, para o Rio de Janeiro onde teve pouca chance como escritor. Então, viajou pelo Brasil como ponto de um companhia de teatro.
Nomeado promotor público da cidade de Laguna-SC, Cruz e Sousa não assumiu o cargo porque a população o rejeitou por ser negro. Em 1888, fixa-se no Rio de Janeiro e trabalha como arquivista na Central do Brasil. Casa-se com Gavita Rosa Gonçalves, também negra e consta que tiveram quantro filhos; todos falecidos na infância, vítimas de tuberculose. Falecida também a esposa, Cruz e Sousa morreu aos 37 anos, como os filhos, também vítima da tuberculose.
Principais obras
Missal (poemas em prosa – 1893)
Broqueis (poemas – 1893)
Evocações (poemas em prosa – 1898)
Faróis (poemas – 1900)
Últimos Sonetos (poemas – 1905)
Braços Braços nervosos, brancas opulências, brumais brancuras, fúlgidas brancuras, alvuras castas, virginais alvuras, latescências das raras latescências.
dos teus abraços de letais flexuras, produzem sensações de agres torturas, dos desejos as mornas florescências.
que prendem, tentanizam como os herpes dos delírios na trêmula coorte ... Pompa de carnes tépidas e flóreas, braços de estranhas correções marmóreas, aberto para o Amor e para a Morte! |
Em “Braços” estão evidentes algumas propostas que aparecem em “Antífona” como o vocabulário arcaico, a letra maiúscula nos vocábulos temáticos, a sinestesia em quase todos os versos e frases nominais que dão à descrição desses braços um estranho clima de imprecisão e de vaguidade, Já a tendência à espiritualidade e a um certo idealismo platônico se expressam nos versos repletos de referências ao branco e ao imaculado, como também a busca de transcendência está evidente na última estrofe.
ORAÇÃO
AO MAR Ó Mar! Estranho Leviatã verde! Formidável pássaro selvagem, que levas nas tuas asas imensas, através do mundo, turbilhões de pérolas e turbilhões de músicas! Órgão maravilhoso de todos os nostalgismos, de todas as plangências e dolências ... Mar! Mar azul! Mar de ouro! Mar glacial! Mar de luas trágicas e das luas serenas, meigas,
como castas adolescentes! Mar dos sóis purpurais, sangrentos, dos
nababescos ocasos rubros! No teu seio virgem, de onde derivam as correntes
creistalinas da Originalidade, de onde procedem os rios largos e claros
do supremo vigor, eu quero guardar, vivos, palpitantes, este Pensamentos,
como tu guardas os corais e as algas. |
Cruz e Sousa, quando foi ponto em uma companhia de teatro, viajou bastante, de navio, pela costa brasileira. Nessa época, apaixonou-se pela grandiloqüência do mar, um tema recorrente em toda a obra deste catarinense, o mais importante poeta simbolista brasileiro.


